Do Portal 247
Assim como os seus adversários, Marina pode e deve ser contestada por suas posições e recuos
O novo mote da candidata Marina Silva é o de que seus
adversários, Dilma Rousseff e Aécio Neves, estariam desesperados e, por
isso, decidiram partir para a baixaria na reta final da disputa
presidencial. Assim, colocando-se na condição de vítima, Marina evita
responder os questionamentos que lhe são feitos pelos dois oponentes.
Mas será que isso é realmente saudável para a democracia? Ou o debate
político não é natural e necessário em qualquer disputa eleitoral?
Do lado tucano, a crítica maior se refere à incoerência política de
Marina, que seria movida apenas por seu desejo de poder. Nos comerciais,
a equipe de Aécio alega que Marina permaneceu o quanto pôde no PT,
mesmo durante a crise do chamado "mensalão", e só deixou o partido
quando percebeu que não seria escolhida pelo ex-presidente Lula para
sucedê-la. Ou seja: a mensagem é a de que ela move mais por ambição do
que por princípios. Na realidade, seria mais pragmática do que
"sonhática".
Do lado petista, o arsenal é mais variado e até agora a equipe de
Dilma já questionou o fato de Marina ser sustentada pela herdeira de um
grande banco privado e, ao mesmo tempo, defender uma agenda de governo
que interessa às instituições financeiras, com propostas como a
independência do Banco Central. Foi também criticada por retardar
projetos de usinas hidrelétricas, o que é incontestável, e por se
submeter à pressão de um pastor evangélico, recuando na defesa de
direitos civis dos homossexuais. Até agora, Dilma apresentou apenas
fatos. Nada além dos fatos.
Nesses últimos dias, Aécio chegou, inclusive, a debater com Marina
numa rede social, o Twitter, dizendo não estar "desconstruindo" a imagem
de Marina e afirmando ainda que "o debate político é fundamental para a
democracia". "Quem imagina ser presidente precisa dizer quem é",
prosseguiu o tucano. E Marina, no entanto, mais uma vez se vitimizou,
dizendo que Aécio promovia uma "desconstrução" semelhante à feita pelo
PT.
Marina precisa compreender que não está acima do bem e do mal e que
tem o dever de responder com clareza sobre suas posições, seus recuos,
como no caso da homofobia e dos transgênicos, e sobre suas próprias
contradições. Afinal, não foram nem Aécio nem Dilma que mudaram o
programa de governo depois que o pastor Silas Malafaia estrilou. E
também não foram eles que, dias atrás, corrigiram a declaração de
patrimônio enviada ao Tribunal Superior Eleitoral porque havia uma
omissão equivalente a um terço dos ativos pessoais. Sim, Marina se
esqueceu de declarar um terço de seu patrimônio. Não pode ser
questionada por isso?
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