Hoje pela madrugada, na BR 104, próximo ao posto fiscal de Taquaritinga do Norte, dois caminhões colidiram de frente. Um caminhão Mercedes Benz azul e um caminhão Volkswagen branco. O acidente ocorreu pela madrugada e segundo populares o motorista do caminhão branco foi socorrido e morreu num hospital em Recife. durante a ocorrência uma viatura da polícia militar foi abalroada por um veículo que passava no local, tendo sido o BO registrado na delegacia de plantão de Santa Cruz do Capibaribe.
13 julho 2013
SUPLENTE DE VEREADOR É MORTO A TIROS EM TORITAMA
sábado, 13 de julho de 2013, do Blog do Adielson Galvão via Agreste Notícias
Edival Salvino da Silva era mais conhecido por "Divá" e tinha 51 anos de idade
Várias pessoas estiveram no local
"Divá" morreu ao lado de seu automóvel
Foi assassinado a tiros por volta das 21h30min de ontem, sexta feira (12), na Rua Antônio Cavalcante de Lucena bairro Parque das Pedras em Toritama, o cortador de tecidos e suplente de vereador, Edival Salviano da Silva, que era conhecido por “Divá”, de 51 anos de idade, que morava na Rua Santa Mônica, no bairro Cohab, naquela cidade.“Divá” voltava para trabalho, um salão de corte de tecidos, quando foi surpreendido por dois homens que já chegaram atirando contra ele, que não teve como se defender e não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo no local, ao lado de seu veiculo, um FIAT Uno de cor azul escura. Ele foi alvejado por três tiros, sendo um nas costas, um no pescoço e outro na cabeça.
Os Policias Militares chegaram em pouco tempo, pois estavam em rondas e abordagens no mesmo bairro, mesmo assim não conseguiram prender os assassinos que se evadiram do local logo após o crime.
“Divá” foi candidato a vereador na eleição passada pelo PTB, quando obteve 235 votos e durante a campanha eleitoral, foi preso por porte ilegal de arma de fogo em seu automóvel, mas pagou fiança e respondia em liberdade. O crime será investigado pela Delegacia de Polícia Civil local, e até o momento a Polícia não informou a real motivação do assassinato.
O corpo da vítima foi encaminhado ao IML de Caruaru e com este sobe para 16, o número de homicídios no ano em Toritama.
Do: Jornal Agreste Notícia Fonte: Blog do Adielson Galvão
“ERNESTO TAMBÉM TEM UM PLANO B”, AFIRMA CARLINHOS REFERENTE À ELEIÇÃO DO ANO QUE VEM
sexta-feira, 12 de julho de 2013, Agreste Notícias
O Vereador de Santa Cruz do Capibaribe, Carlinhos da Cohab (PSL), confidenciou a esse blogueiro que, o Vereador Ernesto Maia (PTB), também teria um plano “B”, caso seu tio, o Deputado Federal José Augusto Maia (PTB), resolvesse disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (ALEPE).
Ainda de acordo com o Vereador, Ernesto estaria disposto, caso José Augusto tente o cargo estadual, a tentar a baga no Congresso Nacional, lutando assim para Santa Cruz e região não perder a representatividade no poder federal.
Do: Jornal Agreste Notícia
Ainda de acordo com o Vereador, Ernesto estaria disposto, caso José Augusto tente o cargo estadual, a tentar a baga no Congresso Nacional, lutando assim para Santa Cruz e região não perder a representatividade no poder federal.
Do: Jornal Agreste Notícia
Caso Telexfree: desembargadora do Acre rejeita novo recurso e bloqueio continua
Empresa, suspeita de ser pirâmide financeira, tentou liberação com mandado de segurança
Vitor Sorano - iG São Paulo, Fonte: Portal IG |
Desembargadora Eva Evangelista, do Tribunal de Justiça do Acre
Em outra derrota da Telexfree na Justiça do Acre, a desembargadora Eva Evangelista barrou, nesta sexta-feira (12), uma nova tentativa de liberação das contas da empresa.
A desembargadora recusou o segundo mandado de segurança destinado a suspender os efeitos da liminar que, desde o dia 18 de junho, mantém bloqueadas todas as transações financeiras da Telexfree e dos sócios da empresa , bem como impede a entrada de novos associados na rede de divulgadores.
A Telexfree informa ser uma empresa de telefonia por internet (VoIP, na sigla em inglês) cujos serviços são vendidos via marketing multinível (MMN). Para o Ministério Público do Acre, porém, o negócio é uma pirâmide financeira, pois se sustenta com as taxas de adesão pagas pelos divulgadores (nome dado aos associados), e não com a comercialização do serviço.
O mandado de segurança é uma medida usada para proteger empresas e pessoas de abuso de poder ou ilegalidade cometido pelo Poder Público. A Telexfree tentou usar instrumentos por duas vezes nesta semana depois que, na segunda-feira (8), a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) um segundo recurso contra a liminar .
No total, a Telexfree já acumula seis derrotas nesse processo. Além da liminar e dos dois mandados de segurança, a empresa teve um agravo de instrumento negado pelo desembargador Samoel Evangelista e um agravo regimental pela 2ª Câmara Cível do TJ-AC. Os advogados tentaram ainda uma medida cautelar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) , mas o pedido também foi recusado.
Agora, a empresa aguarda o julgamento do agravo de instrumento pela mesma 2ª Câmara Cível, o que ainda não tem data para ocorrer. Segundo Alexandro Teixeira Rodrigues, um dos advogados da Telexfree, apenas depois disso é que deve ser tentado um novo recurso ao STJ ou se, for possível, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A Telexfree conseguiu, entretanto, bloquear o inquérito criminal que investiga as atividades da empresa e dos divulgadores no Acre . Uma segunda apuração, feita pela Delegacia de Defraudações de Vitória, no Espírito Santo, continua em andamento
12 julho 2013
Homicídio em Toritama
Ex candidato a vereador assassinado em Toritama. Segundo informações a vítma é Bivar, aguardem mais infirmações.
BBom: contas são bloqueadas pela Justiça por suspeita de pirâmide
Portal IG
Foram congelados R$ 300 milhões, segundo procurador; pagamentos dever ser suspensos
Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às
Empresa-mãe não tem aval da Anatel para vender rastreador
A BBom teve as contas bloqueadas pela Justiça Federal por suspeita de ter constituído uma pirâmide financeira. A liminar – decisão temporária – foi expedida nesta quarta-feira (10). A empresa, que tem cerca de 300 mil associados, é a segunda a ter as transações financeiras suspensas por esse motivo nas últimas 3 semanas.
Ao todo, foram congelados R$ 300 milhões e a transferência de quase cem carros, dos quais duas Ferraris, um Rolls Royce e quatro Lamborghinis, segundo o procurador da República Helio Telho, um dos responsáveis pela ação.
Os pagamentos aos associados – como são conhecidos os revendedores da BBom – devem ser prejudicados pela medida, afirma Telho.
Leia também: Tudo sobre o caso Telexfree
A decisão atinge as contas da Embrasystem, que usa os nomes fantasias BBom e Unepxmil, e da BBrasil Organizações e Métodos LTDA, bem como os bens dos sócios proprietários de ambas.
Em entrevista ao iG , o diretor da BBom, Ednaldo Bispo, afirma não ter tido ainda acesso à decisão, mas nega irregularidades e diz que os pagamentos da empresa aos seus associados continuam normalmente.
"Eu penso que o nosso modelo [ de negócios ] não foi devidamente esclarecido. E eu até entendo a posição da Justiça. A gente não gosta, mas entende", afirma Bispo. "Vai ser a grande oportunidade de mostrar como [ a empresa ] funciona."
Empresa não tem aval para vender rastreador
A BBom informa ser o braço da Embrasystem que comercializa produtos e serviços oferecidos pela empresa por meio de marketing multinível – um modelo de varejo que premia os vendedores pelo desempenho de outros vendedores que atraem para a rede. O principal serviço, segundo Bispo, é o de rastreamento de veículos.
A juíza susbstituta da 4ª Vara Federal de Goiânia, Luciana Laurenti Gheller, porém, considerou que os pagamentos feitos a cada participante da rede "depende[ m ] exclusivamente do recrutamento feito por ele de novos associados", de acordo com nota divulgada no site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A BBom cobra dos revendedores taxas de adesão que variam de R$ 600 a R$ 3 mil.
"Na verdade é um esquema de pirâmide disfarçado de venda de serviço de rastreador por satélite", diz Telho, da Procuradoria da República em Goiás. "Esse esquema da BBom, como era o da Telexfree , era disfarçado. Você ganha dinheiro não por comissão de venda de rastreador, mas por pessoa que você coloca [ na rede ]."
A juíza também apontou como evidência o fato de a Embrasystem não ter autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para comercializar os rastreadores de automóveis. O diretor da empresa afirma que o aval não é necessário.
"A empresa que presta o serviço de monitoramento não precisa de homologação, mas o equipamento, sim. Nós temos todas as homologações [ do rastreador ] feitas diretamente no fabricante."
Bispo afirma ainda que o faturamento da BBom é composto da venda de rastreadores e, no longo prazo, dos serviços de monitoramento.
Segundo o procurador da República, o aumento expressivo no faturamento da BBom nos últimos meses também chamou a atenção.
"A empresa faturava R$ 300 mil no ano passado e em março [ de 2013 ] foram R$ 100 milhões. Uma coisa absurda", afirma.
Segundo o procurador, além da investigação que levou à liminar concedida nesta quarta-feira (10), um inquérito criminal será aberto para apurar a ocorrência de crime contra a economia popular, desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicações, crime contra o consumidor e a ordem econômica, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em todo o Brasil, 13 são investigadas
A BBom já tinha se tornado alvo de investigação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP-RN), que anunciou no último dia 2 a abertura de inquéritos contra seis empresas por suspeita de pirâmide financeira.
Em todo o Brasil, 13 empresas são investigadas atualmente por suspeita de pirâmide, segundo Murilo Moraes e Miranda, presidente da Associaçao do Ministério Público do Consumidor (MPCon) e integrante do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Foi criada uma força-tarefa que reúne promotores e procuradores federais.
No dia 18 de junho, a Justiça do Acre suspendeu os pagamentos e bloqueou os bens dos donos da Telexfree , que informa comercializar pacotes de telefone por internet (VoIP, na sigla em inglês) por meio de marketing multinível. Os responsáveis também negam irregularidades e entraram com um mandado de segurança contra a decisão que, na última segunda-feira (8), manteve a suspensão
Holocausto brasileiro: 60 mil morreram em manicômio de Minas Gerais
Por Renan Truffi - iG São Paulo |
- Extraído do Portal IG
Livro conta história de hospício em Barbacena que arrecadou R$ 600 mil com venda de corpos
“Milhares de mulheres e homens sujos, de cabelos desgrenhados e corpos esquálidos cercaram os jornalistas. (...) Os homens vestiam uniformes esfarrapados, tinham as cabeças raspadas e pés descalços. Muitos, porém, estavam nus. Luiz Alfredo viu um deles se agachar e beber água do esgoto que jorrava sobre o pátio. Nas banheiras coletivas havia fezes e urina no lugar de água. Ainda no pátio, ele presenciou o momento em que carnes eram cortadas no chão. O cheiro era detestável, assim como o ambiente, pois os urubus espreitavam a todo instante”.
A situação acima foi presenciada pelo fotógrafo Luiz Alfredo da extinta revista O Cruzeiro em 1961 e está descrita no livro-reportagem Holocausto Brasileiro, da editora Geração Editorial, que acaba de chegar às livrarias de todo o País. Ainda que tenha semelhanças com um campo de concentração nazista, o caso aconteceu em um manicômio na cidade de Barbacena, Minas Gerais, onde ocorreu um genocídio de pelo menos 60 mil pessoas entre 1903 e 1980.
Apesar de ser uma história recente, o fato de um episódio tão macabro permanecer desconhecido pela maioria dos brasileiros inspirou a jornalista Daniela Arbex. “Eu me perguntei: como minha geração não sabe nada sobre isso?”. A obra conta a história do maior hospício do Brasil, que ficou conhecido como Colônia e leva este nome por ter abrigado atos de crueldade parecidos com os que aconteceram na Alemanha nazista, durante a Segunda Guerra Mundial.
Livro Holocausto Brasileiro conta história do genocídio de 60 mil pessoas em hospício de MG. Foto: Divulgação/Luiz Alfredo/Revista O Cruzeiro
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“Dei esse nome primeiro porque foi um extermínio em massa. Depois porque os pacientes também eram enviados em vagões de carga (ao manicômio). Quando eles chegavam, os homens tinham a cabeça raspada, eram despidos e depois uniformizados”, explica a autora. Daniela não foi a única a comparar Colônia ao holocausto. No auge dos fatos, em 1979, o psiquiatra italiano Franco Basaglia visitou o hospício com a intenção de tentar reverter o que ocorria no local. “Estive hoje num campo de concentração nazista. Em nenhum lugar do mundo presenciei uma tragédia como essa”, disse na ocasião.
A Colônia foi inaugurada em 1903 e continua aberta até hoje, mas o período de maior barbárie aconteceu entre 1930 e 1980, quando pessoas eram internadas sem terem sintomas de loucura ou insanidade. Segundo o livro-reportagem, cerca de 70% das pessoas não tinham diagnóstico de doença mental. “Foi o momento mais dramático. A partir de 1930, os critérios médicos desapareceram. Em 1969, com a ditadura, o caso foi blindado. Não gosto de chamar assim, mas (entre 1930 e 1980) foi um período negro. Foi criado para atender pessoas com deficiência mental, mas acabou sendo usado para colocar pessoas indesejadas socialmente, como gays, negros, prostitutas, alcoólatras”, contou.
Internação e sobrevivência
Capa do livro Holocausto Brasileiro
Daniela contou ainda que a ordem para internação das pessoas na Colônia vinha dos mais influentes da sociedade na época. “Quem decidia é quem tinha mais poder. Teve pessoas que foram enviadas pela canetada de delegados, coronéis, maridos que queriam se livrar da mulher para viver com a amante. Não tinha critério médico nenhum. Tem documento que mostra que o motivo da internação de uma menina de 23 anos foi tristeza”, criticou.
Ao chegarem ao manicômio, os internados tinham uma rotina “desumana”. Eles dormiam juntos em salas grandes sem cama. Todos tinham que se deitar sobre o chão do cômodo, que era coberto apenas por capim. Acordavam por volta das 5h da manhã e eram enviados para os pátios, onde ficavam até 19h, todos os dias. “Barbacena é uma cidade muita fria. Até hoje tem temperatura muito baixa para os padrões brasileiros. Pessoas eram mantidas nuas nos pátios em total ociosidade. Pensa bem que condição sub-humana”, disse a jornalista.
Além disso, a alimentação na Colônia era precária, o que causou a desnutrição e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças em vários dos “pacientes”. “Eles tinham uma alimentação muito pobre, de pouca qualidade nutritiva. Muitas pessoas passavam fome. Tem histórias de gente que em momento de desespero comeu ratos ou pombas vivas. (...) As pessoas acabavam tendo sede e bebiam urina ou esgoto porque tinha fossas no pátio. Não tinha nenhuma privacidade. Até 1979 era assim, faziam xixi e coco na frente de todo mundo", explicou.
O fato dos homens, mulheres e até crianças ficarem pelados o tempo todo criava um clima de promiscuidade no manicômio. Há relatos de mulheres que foram estupradas por funcionário. “Consegui depoimentos nesse sentido de (estupro e abuso sexual), mas não consegui provar. Tem um caso de uma mulher que disse ter engravidado de um funcionário. Certo é que havia uma promiscuidade incrível. As pessoas eram mantidas nuas, dormindo juntas nessas condições. Crianças eram mantidas no meio dos adultos”, lamentou.
A jornalista Daniela Arbex
Além das condições insalubres, o hospício chegou a ter 5.000 pessoas ao mesmo tempo, enquanto a capacidade original era para 200 pacientes. Nesses períodos de maior lotação, 16 pessoas morriam todos os dias. “Não era uma coisa determinada, não existia uma ordem (para matar). As coisas foram se banalizando. Um funcionário via que outro fazia tal coisa com o paciente e repetia. As pessoas deixaram as coisas acontecerem. Não tinha essa coisa de vamos fazer com essa finalidade. Era exatamente por omissão”, comentou.
Venda de corpos
Mas a morte dava lucro. A autora do livro conta que encontrou registros de venda de 1.853 corpos, entre 1969 e 1980, para faculdades de medicina. “O que a gente não sabia e conseguimos descobrir, com a ajuda da coordenação do Museu da Loucura, foi que 1.853 corpos foram vendidos para 17 faculdades de medicina do País. O preço médio era de 50 cruzeiros. Dá um total de R$ 600 mil reais, se atualizarmos a moeda. Tem documento da venda de corpos. De janeiro a junho de um determinado ano, por exemplo, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu 67 peças, como eles mencionavam os corpos”, afirma.
Depois de algum tempo, o mercado deixou de comprar tantos cadáveres. Os funcionários passaram, então, a decompor os corpos dos mortos com ácido no pátio da Colônia, diante dos próprios pacientes, para comercializar também as ossadas.
O caos estabelecido na Colônia foi descoberto pela revista O Cruzeiro, que publicou em 1961 uma reportagem de denúncia de José Franco e Luiz Alfredo, entrevistado por Daniela Arbex no livro. A autora conta que, na época, houve comoção em torno do caso, mas as condições continuaram as mesmas no hospício. “Na época, o (ex-presidente) Jânio Quadros estava no poder. Ele falou que ia mandar dinheiro para a Colônia, falaram que ia fazer acontecer e nada. Não foi feito nenhum tipo de intervenção que fizessem os absurdos cessarem. De 1961 até 1979, a situação continuou tão grave quanto”, explica.
As “atrocidades” no hospício só começaram a diminuir quando a reforma psiquiátrica ganhou fôlego em Minas Gerais, em 1979. Hoje, o manicômio é mantido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e conta com 160 pacientes do período em que o local parecia mais um “campo de concentração”. Ninguém nunca foi punido pelo genocídio.
Para Chomsky, empresas da web superam governos em coleta de dados de cidadãos
Extraído do Portal IG, via BBC Brasil
Snowden revela como Estados podem se beneficiar de rastreamento feito por Google e Amazon, diz acadêmico
O linguista americano Noam Chomsky, conhecido pelas críticas que faz à conduta das autoridades de seu próprio país, afirma que as grandes corporações da internet superam os governos no rastreamento e na coleta de dados dos cidadãos, e por isso as autoridades dos EUA pediram sua cooperação em um programa de monitoramento recentemente revelado.
Acadêmico judeu-americano e ativista Noam Chomsky participa de conferência na Universidade Islâmica na Cidade de Gaza (20/10/2012)
Após Venezuela e Nicarágua: Bolívia oferece asilo a delator dos EUA
Em entrevista à BBC Mundo, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) - no mesmo lugar onde, em 1962, John Carl Robnett Licklider concebeu pela primeira vez a ideia de uma rede global -, Chomsky opina que as revelações do ex-técnico da CIA Edward Snowden sobre a espionagem de cidadãos praticada pelos EUA são uma prova de que os governos podem se beneficiar de dados sobre usuários que são coletados pelas grandes corporações.
Veja a seguir os destaques da entrevista:
Sem segredos: Apenas por fins comerciais, Google, Amazon e etc. estão colecionando enormes quantidades de informação sobre as pessoas - informação que não acho que devessem ter. Rastreiam seus hábitos, suas compras, seu comportamento, o que você faz e tentam controlá-lo direcionando você para determinado caminho. Acho que isso é feito em níveis que superam o do governo. Por isso, o governo está pedindo ajuda (a essas corporações) . Os mais jovens muitas vezes não veem problema nisso. Vivem em uma sociedade e uma cultura de exibicionismo, em que tudo é colocado no Facebook, em que você quer que todos saibam tudo sobre você. Assim, o governo também saberá tudo sobre você.
Tecnologia neutra? Quando os meios para fazer algo estão disponíveis e acessíveis, são tentadores. E as pessoas, principalmente as mais jovens, tendem a usá-los. A internet é uma tecnologia acessível, há muita pressão para o seu uso, todos querem dizer 'eu fiz isso, eu fiz aquilo'. Há um componente de autoglorificação. Mas também há toneladas de publicidade. A internet vende a si própria como um meio de comunicação e, até certo nível, isso é verdadeiro: posso conversar com amigos de verdade em diferentes partes do mundo e interagir com eles de uma maneira que seria difícil por correio. Por outro lado, a internet tem o efeito oposto. É como qualquer tecnologia: é basicamente neutra, você pode usá-la de forma construtiva ou danosa. As formas construtivas existem, mas são poucas.
Internet x telégrafo: A internet representa uma mudança, mas houve mudanças maiores quando se observa o último século e meio. A transição entre a comunicação viabilizada pela navegação à vela e a viabilizada pelo telégrafo foi muito maior do que (a transição) entre o correio tradicional e a internet. Há 150 anos, se você mandasse uma carta à Inglaterra, a resposta poderia demorar dois meses, porque viajaria em um barco ou talvez não chegasse a seu destino. Quando surgiu o telégrafo, a comunicação se tornou praticamente instantânea. Agora que temos a internet, ela apenas ficou um pouco mais rápida.
Denúncias pelo vazamento de Snowden:
Internet x bibliotecas: Há um século, quando foram criadas bibliotecas públicas na maioria das cidades americanas, a disponibilidade de informação e o incremento da riqueza cultural foi amplamente maior do que o gerado pela internet. Agora você não precisa atravessar a rua para ir à biblioteca e pode acessar a informação em sua própria sala de estar. Mas a informação já estava lá, do outro lado da rua. A diferença entre a internet e uma biblioteca é menor do que a diferença entre a ausência de uma biblioteca e sua existência (...). Além disso, na biblioteca pelo menos você pode confiar que o material terá certo valor, porque passou por um processo de avaliação. A internet é um conjunto de ideias, e é difícil distinguir entre o que alguém pensou enquanto atravessava a rua ou algo que alguém de fato estudou com profundidade.
Mais unidos ou mais separados? Caminhar falando ao telefone é uma forma de se manter em contato com os demais, mas será um passo adiante ou para trás? Acho que provavelmente seja um passo para trás, porque separa as pessoas e constrói relações superficiais. Em vez de falar com as pessoas cara a cara, conhecê-las pela interação, se desenvolve uma espécie de caráter casual dessa cultura. Conheço adolescentes que acham que têm centenas de amigos, quando na verdade estão muito isolados. Quando escrevem no Facebook que amanhã terão uma prova na escola, recebem uma resposta como "boa sorte" e concebem isso como amizade. Ainda não vi nenhum estudo a respeito, mas acho que a nova tecnologia isola as pessoas em um grau significativo, separa-as umas das outras.
Mente mais aberta? A internet fornece acesso instantâneo a todo o tipo de ideias, opiniões, perspectiva, informações. Será que isso ampliou nossas perspectivas ou as estreitou? Acho que as duas coisas. Para alguns, ampliou. Se você sabe o que está procurando e tem um senso razoável de como agir, a internet abre perspectivas. Mas se você chega à internet desinformado, pode acontecer o oposto. A maioria das pessoas usa a internet como entretenimento, diversão. Mas entre a minoria que a usa para buscar informação, nota-se que elas identificam muito rapidamente seus sites favoritos e os visitam porque eles reforçam suas próprias ideias. Daí você fica viciado nesses sites, que dizem exatamente o que você está pensando e (você) não olha mais os demais. Isso tem um efeito cíclico; o site se torna mais radical, e você se torna mais radical e se separa dos demais.
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