Declaração de deputado da bancada evangélica repercute na Alepe
Joel da Harpa (Pros) questionou notificação de morte de 'bandidos'.
Afirmação repercutiu mal entre parlamentares e entidades sociais.
O deputado Joel da Harpa (Pros) deu uma declaração polêmica na
Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Ele disse na segunda (25)
que a morte de bandidos em troca de tiros com a polícia não deve constar
dos índices de violência do Pacto pela Vida. A declaração repercutiu
mal entre parlamentares e representantes de entidades sociais. No
entanto, nesta terça (26), o deputado voltou a confirmar o que havia
dito à reportagem do NETV 2ª Edição.
A declaração do deputado foi feita num momento em que a segurança
pública era discutida no plenário. Joel da Harpa contou que foi
convidado a participar do debate. “Sinceramente, o Pacto pela Vida deve
ser revisto em alguns pontos. E nesse ponto onde se coloca as pessoas
que morreram no estado de homicídio. Tem marginal que morreu aí trocando
tiro com bandido que não devia nem estar nessa relação aí, porque
bandido que troca bala com polícia tem que morrer mesmo, porque o
policial não vai morrer por causa de bandido. E o policial tem que se
defender com a pistola que ele carrega na cintura e essa pistola que foi
concedida pelo estado, porque ali está um policial que representa o
estado, e ele não vai morrer com a pistola na cintura. Por isso que
esses marginais que estão morrendo e estão entrando nos números do Pacto
pela Vida como cidadão comum não deveria entrar”, discursou o
parlamentar.
A declaração do deputado repercutiu entre os parlamentares. “Foi uma
declaração lamentável, muito infeliz. Em primeiro lugar, ele é um
deputado e deve se comportar, desse ponto de vista, cuidando do conjunto
da população. É membro da bancada evangélica aqui na casa, é membro da
Comissão de Direitos Humanos, então eu acho que foi uma declaração muito
infeliz que não deveria partir de um parlamentar da Assembleia
Legislativa de Pernambuco”, disse o deputado Edilson Silva (Psol),
presidente da Comissão de Cidadania. “É a opinião de deputado, tem que
ser respeitada dentro de uma opinião pessoal. O governo de Pernambuco,
através do Pacto pela Vida, tem a obrigação de contar todas as mortes
violentas. Se ela se deu dentro de um contexto de legítima defesa, cabe
ao Judiciário fazer esse julgamento”, comentou Waldemar Borges (PSB),
líder da bancada do governo.
O Pacto pela Vida, criado em 2007, é um programa de segurança pública
que estabelece ações para diminuir a violência e monitora a quantidade
de crimes cometidos no estado. Segundo a Secretaria de Defesa Social
(SDS), no ano passado, de janeiro a abril, o Pacto pela Vida registrou
1.126 crimes violentos letais intencionais, que são os homicídios. Neste
ano, no mesmo período, foram 1.304 ocorrências, um aumento de 15,8%.
O coordenador-executivo do Centro Dom Hélder Câmara de Estudos e Ação
Social (Cendhec), José Ricardo de Oliveira, não concorda com a
declaração do deputado Joel da Harpa. “Primeiro que foi uma declaração
no nosso entender que foi absurda pra qualquer cidadão fazer uma
declaração que foi feita por ele. E, segundo, o mais grave ainda, é por
ser uma declaração de um deputado, um legislador e também de uma pessoa
que pertence ao quadro da Polícia Militar”.
Joel da Harpa trabalhou como policial militar por 17 anos. Reformado
como soldado, ele elegeu-se deputado estadual pelo Pros e está no
primeiro mandato. O parlamentar pertence à bancada evangélica e também é
membro da Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação
Popular, além de coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da
Segurança Pública.
Ao NETV, Joel da Harpa confirmou o que disse no
plenário. “O policial, para se defender, ele tem sim que usar sua arma
de fogo e, muitas vezes, ou na maioria, infelizmente esses bandidos têm
tombado com a vida. Então, que o policial fique vivo e que o bandido
morra e que o policial não tenha nenhum medo em usar a força necessária
para proteger a sua vida”, afirmou o deputado.
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