11 maio 2015

Projeto do novo cais José Estelita

Blog do Magno Martins

 
Num Pais democrático, o contraditório é imprescindível e salutar. Manifestações são amplamente compreendidas pela sociedade quando não chegam ao ponto de exacerbação. Já ouvi que o movimento Ocupe Estelita é de natureza política e direcionado para grupos de olho nas eleições de 2016.
Verdade ou não, o fato é que o acampamento na casa do prefeito Geraldo Júlio (PSB) foi um tiro no pé, atraindo a repulsa de todos os segmentos da sociedade. O Novo Recife não é uma invenção da atual gestão. A venda do terreno e a aprovação de 13 torres tiveram o start na era João Paulo/João da Costa.
Portanto, com o PT. Geraldo reabriu o debate, promoveu seis reuniões com os líderes do movimento contrário, o Crea, empresários da construção civil, representantes das universidades e outras entidades envolvidas. Também realizou quatro audiências públicas abertas à população.
Pelo que li e fui informado, depois das consultas e audiências 80% das propostas de reformulação do projeto foram aproveitadas, passando de 35% para 65% o uso de área pública disponibilizada à população. Com as reformulações, foram proibidos muros e grades, deixando o terreno completamente aberto para o fluxo das comunidades que moram por trás ou nas redondezas.
O prefeito foi mais além e dobrou o número de ruas públicas, permitindo maior fluidez e permeabilidade do tráfego. Ao mesmo tempo exigiu como contrapartida das empreiteiras a construção de 200 unidades de casas populares com distância máxima de 300 metros do terreno.
Da mesma forma, ao longo da discussão, exigiu a demolição do viaduto entre o Cais José Estelita e o Cais de Santa Rita, devolvendo à cidade a vista do belíssimo Forte das Cinco Pontas. Quanto à altura dos prédios, foi reduzida em dois terços daqueles que ficarão próximos aos prédios tombados na área.
Como disse o vice-governador Raul Henry, ontem, em seu Face, o primeiro projeto apresentado pelos empreendedores possuía os defeitos próprios de uma visão urbanística que já esterilizou vastos territórios da cidade. Um urbanismo que impõe às pessoas caminharem solitárias e inseguras em calçadas oprimidas entre automóveis e muralhas. Um urbanismo obsessivo na promoção do isolamento e da segregação.
Segundo ele, na proposta original não houve nenhuma preocupação em privilegiar o espaço público de convivência; absoluta ausência do conceito de uso misto do pavimento térreo, que daria vitalidade às calçadas; presença de barreiras físicas descomunais em torno dos edifícios, o que os tornava verdadeiras fortalezas condominiais; e a falta de permeabilidade viária, que impedia a integração do projeto com as comunidades do seu perímetro e com o polo comercial do Bairro de São José, dando a ideia de completa privatização do território urbano.
 “Geraldo tomou todas as providências para que acontecesse uma discussão democrática sobre o futuro do terreno”, diz Henry. Com isso, segundo ele, houve o redesenho do projeto, que corrigiu seus pecados originais. O projeto atual, portanto, atende aos reclamos de uma sociedade civil cada dia mais atenta, exigente e mobilizada. Adota um conceito urbanístico mais humanizado e possibilita o estabelecimento de um novo polo de desenvolvimento econômico na cidade, que irá contribuir para seu maior dinamismo e a geração de novas oportunidades”, conclui.
Não concordar com essas ideias é legítimo em uma sociedade democrática. Protestar contra elas, nos devidos espaços públicos e institucionais, também é legítimo. Mas nada justifica constranger filhos, familiares e vizinhos promovendo uma invasão ao prédio onde reside o prefeito.

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