BR 247

Pernambuco 247 - As eleições internas do PSB
marcadas para esta segunda-feira (13) serão realizadas sob um clima de
tensão que pode rachar o partido. A decisão do atual presidente do
partido, Roberto Amaral, tomada na véspera do pleito, de apoiar a
reeleição da presidente Dilma Rousseff, contrariando a decisão da
maioria da legenda em apoiar Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das
eleições presidenciais elevou o clima interno e poderá levar a
fragmentação do PSB.
"O doutor Amaral decidiu fazer um rompimento com a maioria. Todas as
pessoas- que têm o direito de tomar decisões, que vêm acompanhada das
respectivas consequências", disse o secretário-geral do PSB, Carlos
Siqueira, ao jornal Valor Econômico. Socialista histórico e bastante
próximo do PT, Amaral vinha defendendo a neutralidade do partido ou
apoio à reeleição de Dilma no segundo turno. Ele acabou derrotado com a
decisão da maioria dos diretórios estaduais em apoiar a candidatura
tucana.
Além disso, houve uma intensa movimentação nos bastidores para
tirá-lo da presidência. Parte desta pressão partiu do diretório
pernambucano, que não aceita perder o protagonismo dentro da legenda
após comandar o PSB desde 1983, com o ex-governador Miguel Arraes em
seguida com o ex-governador Eduard Campos. Amaral assumiu o PSB após a
morte de Campos em um acidente aéreo ocorrido em agosto, em Santos (SP).
Na nova composição, Siqueira – que rompeu com a ex-candidata
socialista à Presidência da República, Marina Silva, logo após ela
assumiu a cabeça de chapa com a morte de Campos, deverá ser alçado à
condição de dirigente máximo do partido. O fato de Siqueira, que é
bastante próximo de Amaral, assumir o cargo poderá apressar a saída de
Marina do PSB, onde está abrigada até conseguir viabilizar a criação do
seu partido, o Rede Sustentabilidade. Siqueira assume o desentendimento
com Marina, mas assegura que já conversou com Marina sobre o assunto e
que "não pretende criar dificuldades" para a ambientalista.
Além disso, o diretório pernambucano, - que fechou integralmente o
apoio à candidatura de Aécio - deverá ocupar a secretária-geral do
partido com o prefeito do Recife Geraldo Julio, e o governador eleito
Paulo Câmara deverá ser o primeiro vice-presidente. O senador eleito
Fernando Bezerra Coelho deverá ser o terceiro vice-presidente, o
presidente estadual o PSB, Miltn Coelho e o atual governador João Lyra,
deverão ocupar secretarias especiais e Dora Pires deverá permanecer à
frente da Secretaria Especial de Mulheres. Desta forma, Amaral e o seu
grupo, especialmente os que defendem a neutralidade ou o apoio a Dilma.
Segundo o Valor, Siqueira nega que haja algum tipo de movimento para
isolar os apoiadores de Dilma ou os que preferem manter o partido neutro
na disputa do segundo turno. "Erundina [Luiza Erundina] foi convidada
para uma secretaria especial e preferiu não aceitar. Já o governador
Ricardo Coutinho (PB), que inclusive subiu no palanque com Dilma na
semana passada, foi convidado e aceitou", observou.
Pelo sim, pelo não, Amaral posicionou-se por meio de uma carta aberta
onde ressalta que o apoio dos socialistas ao PSDB fez cm que o partido
"jogasse no lixo" os ideais de seus fundadores e que isso pouco
contribuía para construir uma "resistência de esquerda, socialista e
democrática". Para o socialista, as discussões internas do PSB foram uma
"disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos
do Estado". Amaral acusou a legenda de já estar negociando que
ministérios ocuparia em um eventual governo do PSDB.
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