25 agosto 2014

PSB e o discurso do "escolhido"

Do JC Online

Sem Eduardo Campos, socialistas utilizam o discurso de que Paulo Câmara é a opção feita pelo ex-governador


Na primeira semana de campanha após a morte do ex-governador já foi possível identificar como candidatura de Paulo Câmara será conduzida sem a figura do principal líder da Frente Popular de Pernambuco. Nos discursos e propaganda eleitoral, o nome de Eduardo passou a ser ainda mais exaltado. O novo tom utilizado pelos socialistas é de Paulo Câmara foi o candidato escolhido pelo ex-governador para dar continuidade ao seu legado. O primeiro ato realizado pela coligação já deixou isso claro. 
Os dois primeiros guias eleitorais de Paulo Câmara mostram como a imagem do ex-governador será utilizada com frequência. No primeiro dia, o vídeo é uma forma de homenagem. Já o segundo, deixa mais claro que a ligação entre os dois socialistas. O discurso feito por Eduardo no dia da apresentação de Paulo como candidato foi utilizado para reforçar a tese de que o candidatato é o que teve aval do ex-governante. A emoção é uma das características exploradas nas imagens. “Construímos uma frente política enorme que haverá de ter a benção do povo pernambucano. Fiquem seguros. Vamos ter uma grande vitória. Que deus abençoe a nossa caminhada!”, diz Eduardo Campos, num discurso realizado no dia 24 de feveireiro.
A característica emotiva deve ser um dos fatores prodominantes na campanha de Paulo Câmara, na na análise do cientista político Juliano Domingues. “Mais do que nunca, o caráter emotivo se faz presente nessas eleições estaduais. Há uma ênfase ao sentimento de ‘gratidão’. O discurso dos candidatos e da propaganda da Frente Popular, a princípio, parece sugerir ao eleitor que ele adquiriu uma espécie de dívida com Eduardo”, destacou o especialista. 
O presidente do PSB em Pernambuco Sileno Guedes, que também é coordenador da campanha, afirmou que a imagem de Eduardo será utilizada não só nos materiais de campanha que já estão prontos da Frente Popular, mas também nas novas peças publicitárias que serão produzidas nos próximos dias. “Não é porque ele morreu que não vamos continuar utilizando a imagem dele. Ele estará sempre presente porque isso faz parte do projeto dele”, afirmou. 
Juliano Domingues, no entanto, ressalta o risco para o discurso emotivo, que pode provocar reação contrária dos eleitores. “Se a dose (de emoção) for exagerada, pode-se imaginar uma reação negativa por parte do eleitor. De qualquer forma, algum aumento nas intenções de voto relacionadas a Paulo Câmara deve ser esperado nas próximas pesquisas, principalmente como resultado do impacto emocional do acidente”, avaliou.  

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