Jornais divulgavam a face entristecida de Marina, solidária com a
família Campos e escondiam a dor de Lula. Lulistas expunham a dor de
Lula e divulgavam a foto de Marina sorridente. Caciques do
Sustentabilidade abriam negociações com caciques do PSB visando garantir
o lugar para Marina. Caciques do PT atuavam na outra ponta, visando
trazer de novo o PSB para a base.
Nos jornais, colunistas entravam em orgasmo imaginando cenas que
pudessem explorar a dor familiar e seus efeitos na comoção nacional. Na
blogosfera, o contraponto. Nos dois lados a atenção enorme aos
movimentos da família. Pois a família colocou Marina no carro que
transportou o caixão, bradavam os jornais. Mas a esposa colocou o caçula
no colo de Lula, rebatia a blogosfera.
Essa disputa macabra, compreensível até – em momentos como esse não
há tempo para celebrar o luto – montou seu pacto de paz, seu momento de
se indignar sem expor a própria hipocrisia.
Todos se irmanaram na condenação unânime das pessoas que, em um
evento aberto à população, eminentemente popular e informal, ousaram
tirar “selfies” à beira do caixão.
A senhora que aparece na foto não supunha que, com seu gesto, daria uma nova dignidade à política nacional.
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