21 agosto 2014

A falta de compostura política e os selfies


Jornais divulgavam a face entristecida de Marina, solidária com a família Campos e escondiam a dor de Lula. Lulistas expunham a dor de Lula e divulgavam a foto de Marina sorridente. Caciques do Sustentabilidade abriam negociações com caciques do PSB visando garantir o lugar para Marina. Caciques do PT atuavam na outra ponta, visando trazer de novo o PSB para a base.
Nos jornais, colunistas entravam em orgasmo imaginando cenas que pudessem explorar a dor familiar e seus efeitos na comoção nacional. Na blogosfera, o contraponto. Nos dois lados a atenção enorme aos movimentos da família. Pois a família colocou Marina no carro que transportou o caixão, bradavam os jornais. Mas a esposa colocou o caçula no colo de Lula, rebatia a blogosfera.
Essa disputa macabra, compreensível até – em momentos como esse não há tempo para celebrar o luto – montou seu pacto de paz, seu momento de se indignar sem expor a própria hipocrisia.
Todos se irmanaram na condenação unânime das pessoas que, em um evento aberto à população, eminentemente popular e informal, ousaram tirar “selfies” à beira do caixão.
A senhora que aparece na foto não supunha que, com seu gesto, daria uma nova dignidade à política nacional.

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